Como aqui no Brasil é mais fácil abrir uma roda de bodega para debater futebol e Big Brother, do que trancafiar-se passando dias a fio debruçando-se às histórias de José Bonifácio, Diogo Feijó, Visconde de Taunay e Carlota Joaquina, presumo (e, neste caso, presunção se converte em fato amplamente documentado) que a autêntica história brasileira foi soterrada sem a mínima piedade dos que comandaram o maior golpe que este país testemunhou.
No lugar do verdadeiro Brasil, inocularam o vírus positivista da “res publica” sob o falso manto da distensão democrática fingida. A república federativa brasileira, da primeira à última página, foi uma fraude programada. E não me venham dizer que a queda do império foi mediada por um pedido popular.
Se duvidam da palhaçada, vejam então a sequência cronológica de revoltas, ditaduras, constituições, renúncias, impedimentos de presidente e atos institucionais estabelecidos em mais de 120 anos de promessas vazias e políticas feitas pela metade. Depois poderão ter o direito de contestá-la e ver qual das formas de governo melhor se encaixa no nosso caso.
Toda essa maracutaia foi projetada para destituir um governante que fez do Brasil uma potência mundial em termos de marinha mercante e de guerra (só perdia para a poderosa Inglaterra), falava “apenas” 22 idiomas, permitia debates republicanos e até mesmo negou enfaticamente a anexação do território do meio oeste americano ao solo brasileiro.
Por outro lado, ironicamente, os que pediram a cabeça do rei se arrependeram de instaurar uma república tão sórdida, tão ditatorial, tão descarada, a ponto de Ruy Barbosa reconhecer que o regime foi uma desgraça nacional.
Depois os canalhas vêm com a suprema cara de pau em fraudar um plebiscito com o propósito deliberado de continuar com o mesmo sistema, como se 75% da população brasileira considerasse a república a melhor forma de governo da história.
Não é fácil convencer o povo a travar uma batalha tão dura quanto restaurar os mais nobres valores de uma nação: A soberania, a prosperidade, a pujança, o entusiasmo e o espírito patriota. Mas, infelizmente, estamos tão acostumados com a cultura do jeitinho, que nos habituamos a adotar um rótulo fácil e incontornável de “democracia” e “honestidade”, como se estas atribuições não exigissem uma séria revisão de nossos pensamentos e conceitos históricos que atendam às definições concretas da sociedade civil.
O Brasil vai muito além da reles disputa entre esquerda e direita, muito pelo contrário, é o resgate nacional do povo brasileiro contra a arrogância adornada por um discurso fetichista de salvador da pátria da vez. Mas para que isso aconteça, só com suor, sangue e vergonha na cara.

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