A Falência da Segurança Pública
Pede menos ideologia e mais serviço ao cidadão.
Inicialmente é esclarecido que não está sendo realizado um debate filosófico profundo sobre o serviço público e ideologia. O debate que hora é travado diz respeito apenas a grave crise que o Brasil vive, nos dias atuais, no campo da segurança pública.
Atualmente o Brasil vive uma crise profunda no campo da segurança pública. Uma crise que se manifesta, por exemplo, nas ondas de ataques, orquestrados por facções criminosas, nas grandes cidades do país, nas rebeliões e até mesmo no controle de amplos espaços dentro do sistema prisional e, o pior, o controle efetivo do território de muitas cidades do país.
Por mais que autoridades no campo da segurança pública, políticos e jornalistas afirmem que tudo está sob controle, o fato concreto é que o cidadão está com medo, o crime – tanto organizado como desorganizado – está conseguindo acuar e fazer recuar o cidadão e o poder público.
Não se trata de criar uma atmosfera de medo e desespero, mas, o fato concreto, é que se algo não for feito, a médio e a longo prazo, o Estado poderá perder o controle das ruas e das cidades e, por isto, a população experimentará o caos e o terror. Será uma experiência dentro de certos limites, semelhante a experiência de medo e falta de opções vivida pela população das cidades omanas durante o período de decadência do "Império Romano" e das invasões bárbaras.
É preciso ter consciência que facção criminosa não é movimento social. Facção criminosa é algo tão terrível e tão cruel como as invasões que destruíram o Império Romano.
Apesar desta terrível constatação, o Brasil viveu nas últimas décadas um período de forte conteúdo ideológico, dentro das análises e até mesmo das ações de segurança pública. Por exemplo, nos últimos vinte anos, facção criminosa foi tratada como "movimento social", a polícia foi vista apenas como um espaço autoritário e violento do estado e os problemas de segurança pública foram deixados de lado.
Todo e qualquer problema de segurança pública era visto como um problema social, resolvido apenas com distribuição de programas sociais do governo, com emprego e cursos técnicos. Não restam dúvidas, que os programas sociais não ajudam a combater a violência e é preciso ter consciência que existem facções e grupos criminosos que não tem qualquer interesse em aderir, mas sim em espalhar o caos e o terror pelo país.
Além disso nos últimos vinte anos, em nome de uma visão ideológica que vê qualquer ação da polícia como algo autoritário, patriarcal e conservador, investimentos profundos na área de segurança deixaram de ser realizados. Basta ver que hoje em dia a maioria das grandes cidades no Brasil tem um contingente policial bem abaixo da necessidade real destas cidades.
A consequência disso é que as policiais militares dos estados terminam caindo na “política da troca de elite” ou seja, como não existem policiais suficientes para fazer o controle do território das cidades, termina-se recorrendo as unidades policiais especializadas, com maior treinamento e armamento mais moderno, para enfrentar, por exemplo, milícias paramilitares, facções criminosas e rebeliões em presídios.
O problema é que a política da troca de elite não poderá ser mantida eternamente. Levando em conta que as facções criminosas e as milícias paramilitares estão cada vez mais estruturadas e bem armadas, será questão de tempo, para que o controle efetivo das ruas sair das mãos do estado para o crime organizado.
De um lado, deve-se reconhecer que existem bolsões de violência e autoritarismo dentro das polícias no Brasil. São bolsões que precisam ser combatidos e eliminados. A polícia precisa ser cidadã, está mais perto do povo e das necessidades reais das pessoas.
Do outro lado, não será com interpretações ideológicas que a grave crise de segurança que o país enfrenta será combatida e vencida. É necessário haver dentro das políticas de segurança um grau menor de ideologia e um grau maior de eficiência, de planejamento, de investimentos nos setores de inteligência, de coleta de informação, de controle de lideranças de facções criminosas e – algo de suma importância – maciços investimentos em pessoal de rua.
Investimento na contratação e treinamento de policiais que estejam nas ruas das grandes e pequenas cidades, para prestarem um serviço de assistência pública de qualidade ao cidadão.
Se o cidadão tem acesso a um bom serviço de segurança pública, se o cidadão confia na polícia, então dificilmente alguma facção criminosa vai conseguir espalhar o terror pelo país.

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